POST 8 – o
forró safadinho
O duplo sentido habita a música
brasileira desde muito tempo. Atribui-se a Ary Barroso, com sua marchinha “EU
DEI”, gravada em 1937 por Carmem Miranda, o
pioneirismo do duplo sentido. Luiz Gonzaga, em 1946, em seu Pagode Russo,
dançou “cossaco fora”. Raul Seixas, com o seu “Rock das Aranhas”, em 1983,
repetiu o formato. O mesmo fizeram Sérgio Reis, com sua “Panela Velha”, em
1983; Maria Alcina, com “Prenda o Tadeu”, em 1985; além de Lulu Santos, com “Adivinha
o Quê”, também nos anos oitenta.
Mas foi no chamado “Forró Safadinho” que o duplo sentido criou asas, driblando a
censura, em pleno regime militar, e divertindo o povo. O primeiro registro do
gênero ocorre em 1970, quando o Trio
Nordestino, deu a largada, com o seu inesquecível sucesso “Procurando Tu”. Em seguida, eles
gravaram “Muito Tempo não lhe Vejo”, com o marcante refrão “Tô feliz porque
você tá boa”. O gênero imortalizou Manhoso,
Marinês, Sandro Becker e principalmente Genival Lacerda, com seus sucessos
“Severina Xique-Xique”, “Ela Deu o Rádio”, e “Você tem que me dar o Disco”.
Ouvi muitos
forrós do tipo em minha juventude. Era uma voz de libertação. De rebeldia
adolescente, que trago até hoje.
O forró
safadinho adota sempre um dos subgêneros do forró (xote, baião, maxixe, xaxado,
arrasta pé). O que o distingue é a letra, em que se confere um sentido jocoso para certa palavra ou
conjunto de palavras.
Sempre me encantou a possibilidade de
divertir as pessoas,
na literatura e na música. Por isso,
até como terapia, costumo compor muitos “forrós
safadinhos”, mantendo viva uma tradição que parece ter esgotado todos os temas,
mas que tem muita coisa ainda para ser explorada. E apois?...
P.S: Mas não
esqueça de deixar seu laique, seu comentário, sua proposta para transformar em
peça teatral essa história, etc. Isso é o nosso querosene de aviação.

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