quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

POST 8 – o forró safadinho


POST 8 – o forró safadinho
     O duplo sentido habita a música brasileira desde muito tempo. Atribui-se a Ary Barroso, com sua marchinha “EU DEI”, gravada em 1937 por Carmem Miranda, o pioneirismo do duplo sentido. Luiz Gonzaga, em 1946, em seu Pagode Russo, dançou “cossaco fora”. Raul Seixas, com o seu “Rock das Aranhas”, em 1983, repetiu o formato. O mesmo fizeram Sérgio Reis, com sua “Panela Velha”, em 1983; Maria Alcina, com “Prenda o Tadeu”, em 1985; além de Lulu Santos, com “Adivinha o Quê”, também nos anos oitenta.
     Mas foi no chamado “Forró Safadinho” que o duplo sentido criou asas, driblando a censura, em pleno regime militar, e divertindo o povo. O primeiro registro do gênero ocorre em 1970, quando o Trio Nordestino, deu a largada, com o seu inesquecível sucesso “Procurando Tu”. Em seguida, eles gravaram “Muito Tempo não lhe Vejo”, com o marcante refrão “Tô feliz porque você tá boa”. O gênero imortalizou Manhoso, Marinês, Sandro Becker e principalmente Genival Lacerda, com seus sucessos “Severina Xique-Xique”, “Ela Deu o Rádio”, e “Você tem que me dar o Disco”. 
     Ouvi muitos forrós do tipo em minha juventude. Era uma voz de libertação. De rebeldia adolescente, que trago até hoje.
     O forró safadinho adota sempre um dos subgêneros do forró (xote, baião, maxixe, xaxado, arrasta pé). O que o distingue é a letra, em que se  confere um sentido jocoso para certa palavra ou conjunto de palavras.
     Sempre me encantou a possibilidade de divertir as pessoas, na literatura e na música. Por isso, até como terapia, costumo compor muitos “forrós safadinhos”, mantendo viva uma tradição que parece ter esgotado todos os temas, mas que tem muita coisa ainda para ser explorada. E apois?...

P.S: Mas não esqueça de deixar seu laique, seu comentário, sua proposta para transformar em peça teatral essa história, etc. Isso é o nosso querosene de aviação.


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