quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

COMO ME TORNEI O QUE SOU-POST1

POST 1  - o êxodo ancestral


Em 1887, meus bisavôs Quincas Garcia Laranjeira e Sebastião Pereira de Araujo fugiram de Florânia-RN. Deixavam para trás uma seca inclemente, seguida de uma peste de febre palustre.
O flagelo duplo dizimara lavouras, criações e famílias. Os patriarcas Quincas e Sebastião, apesar de amarem sua terra, tiveram de alterar os planos, antes que a desgraça se completasse e ceifasse vida de familiares.
Eram agricultores, naquele pedaço da região do Seridó Potiguar, transição entre os campos de tabuleiro do agreste e a caatinga do sertão. Gente trabalhadora e digna. Plantavam roças, cereais e algodão. Comiam o que produziam e vendiam os excedentes. Atingiram um nível modesto, mas confortável de vida.
Nos lombos de uma tropa de burros, levando o que puderam (mantimentos, utilidades e o dinheiro disponível), desceram a ribeira do Rio Potengi, na direção de Natal.
Os cachorros Tupi, Uaite e Duque, todos da raça turn-cans (vira-latas) e os gatos Manhoso e Veludo guiaram a comitiva, avisando-a dos perigos.
Bebês, crianças e mulheres iam montados sobre as cangalhas dos muares, no espaço entre os caçuás de viveres; homens e jovens seguiam a pé, tangendo a tropa. Só paravam para o almoço, embaixo de alguma árvore do percurso; e para o jantar e dormida, em tendas, sobre a areia fresca do rio, ao cair das noites.
Aos poucos o Rio Potengi, quase um filete em sua nascente, foi aumentando o volume d’água, à medida que recebia tributos de pequenos riachos. Aconteceu de tudo na jornada, desde criança desaparecida na mata a livramento de cobra venenosa, de guaxinim e de raposa doida.  
Mas foi no quinto dia que a caravana teve a grande surpresa...

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