quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

POST 12 - SEGURA A PAMONHA


POST 12 – SEGURA A PAMONHA
Após  142 anos de gestação, forjada por gerações e gerações de pamonheiros, pamonhistas e pamonhólogos, eis que surge a música “Segura a Pamonha”, materializada por este descendente da quinta geração da família Garcia Laranjeira Pereira Araújo, e gravada por Tico Mendes. Cooommm vooocêêêsss =>  https://youtu.be/KHi_pSBR-58







terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

POST 11 – PAMONHA TEIMOSA


POST 11 – A pamonha teimosa!

Era ano de 1981. Eu tinha saído do sufoco das nove horas diárias de aula da ESAP, e já trabalhava nos Correios. Completava três anos em Brasília, e um ano naquele meu primeiro emprego. Um dia, ao ver na padaria da quadra uma ressecada pamonha, lembrei-me da frase do meu pai: “Não deixa pingar o caldo da pamonha!”. O crachá da atendente dizia que seu nome era Dinorá.
saí dali cantarolando o refrão de um xaxado que acabara de compor: “Segura a pamonha, Dinorá... segura a pamonha, mas com cuidado, o melhor é o caldo, não deixa pingar”. Mostrei no dia seguinte aos colegas de trabalho e o austero ambiente da ECT se transmutou em palco de risadas; foi  grande a galhofa,  uma espécie de terapia reconfortante para todos.
Logo em seguida, a convite de alguém fui a uma festa no Clube Naval de Brasília. Era meu hábito cavar uma canja em todo lugar que tivesse música ao vivo. Assim, com violão em punho, no primeiro intervalo da banda, resolvi mostrar à plateia a música “Segura a Pamonha”.  Cantei menos de um minuto e desligaram o microfone.
Comentei sem graça: “Parece que deu um probleminha no som”. Um moço que mexia na mesa acústica, explicou-me ao ouvido: “Não houve nenhum problema no som, mas esse tipo de música não pode tocar aqui”. Desci do palco com um sorriso amarelo e em pouco tempo tratei de deixar o lugar. Atribuí o conservadorismo à natureza do clube e à idade dos presentes. Fiquei uns dias bem desanimado. Mas a coisa não pararia por aí.
Depois, ao final daquele ano, viajei de férias a Natal. Na rua de minha infância, minha amiga chamada Ceiça reuniu outras meninas da vizinhança e me chamou para tocar violão em sua casa. Sentindo-me à vontade no meio de jovens de minha idade, inventei de cantar em dado momento a música “Segura a Pamonha”. Ao chegar ao refrão, ouvimos um brado retumbante. Era a mãe de Ceiça, encolerizada:
- Essa pamonha já esgotou minha paciência! Vamos acabar agora com essa pouca vergonha! E já pra fora da minha casa!
Saí muito constrangido e confesso que me traumatizei e nunca mais cantei em público a música. Mas ela, apesar de guardada no fundo do baú, de tempos em tempos me vinha à mente. Ao me aposentar e visualizar o que deveria fazer, lá estava a danadinha, em primeiro lugar na fila, teimando, querendo uma nova chance. O fato é que a terceira idade nos dá esse direito de sermos malcriados. Foi assim que a pamonha saiu do exílio, do index prohibitorum.    

P.S: Por tudo que há na terra, não esqueça de deixar seu laique, seu comentário, sua proposta para me entrevistar em uma grande rede de televisão ou rádio, etc. Isso é o empurrão que falta para alçarmos voo em nosso paraquedas.

sábado, 23 de fevereiro de 2019


POST 10 – O embrião da pamonha.

Vamos à prestação de contas! Eu não poderia ser outra pessoa. Como visto:
1 - Minha família ancestral conservou uma tradição telúrica, todos amantes das coisas do campo, entre elas as comidas de milho;
2 - Meu pai sempre foi um sujeito muito bem humorado, que conservou o mesmo estado de ânimo nos extremos de abundância e privação que experimentou;
3 – Minha mãe era exímia gastrônoma e humilhava outras cozinheiras quando o assunto era comida de milho: cuscuz na nata, manguzá no leite de coco, canjica cozida no cravo e canela, e principalmente sua inigualável pamonha com superfície cremosa, regada na manteiga.
4 - Um dia, em visita aos meus genitores, na Lagoa do Sobrado, proximidades da ancestral Pedra Branca, estávamos lanchando à mesa. Ao me ver alcançar na bandeja, uma cremosa pamonha, turbinada com manteiga de garrafa, meu pai me alertou: “Bote o seu prato mais perto; não deixe pingar o caldo da pamonha na toalha”. Dei um sorriso maroto e fiz o que pedia. A frase ficou me martelando o juízo. Era lógica e engraçada. Mal sabia que ela teria um desfecho, anos mais tarde.

P.S: Pelas caridade, não esqueça de deixar seu laique, seu comentário, sua proposta para transformar em stand up essa história, etc. Isso é a lenha que movimenta nossa locomotiva a vapor.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

POST 9 – REGRESSO Á MÚSICA

POST 9 – REGRESSO Á MÚSICA
     Pois bem, aos 18 anos, despedi-me do rádio, da televisão, do jornal, e abracei a burocracia. Dediquei-me de corpo e alma e fui um burocrata premiado, tive uma carreira de sucesso, tanto na ECT como no TCU. Faturei vários prêmios nacionais e internacionais de monografias, nas áreas em que atuei. Galguei postos relevantes, em decorrência disso. Dediquei-me de corpo e alma. Quarenta anos se foram entre carimbos, relatórios, processos, projetos, apresentações, treinamentos, etc.
     É claro que a paixão pela arte não foi embora. Diminuí o ritmo, mas prossegui fazendo literatura e canções. Há dois anos atrás me aposentei e  fiz a pergunta que todos fazem: “E agora?”. Precisava me “ressocializar”, e a ficha musical foi a primeira que caiu. Comecei a preparar meu regresso à música. Fiz um MBA de Propriedade Intelectual, e estudei muito sobre produção musical e o mercado artístico.
     Tracei meu plano de negócios e parti para a gravação de 50 músicas demo. Nesse processo, planejava encontrar distante o primeiro talento a ser convidado para uma gravação musical. Tico Mendes, tecladista da minha confiança, foi escolhido para fazer as 50 demos. Mas, fui percebendo que quando ele cantava forró, sua expressão mudava, a voz se encaixava melhor, seu timbre era vibrante. Seu biotipo era de um nordestino legítimo, em aparência e pronúncia.
     Foi assim que surgiu o primeiro projeto, o disco do Tico Mendes, minha estreia como produtor musical. São dez faixas de forró safadinho, sendo quatro de minha autoria, duas delas em parceria com Tirol (Pseudônimo de um renomado artista nacional), quatro músicas de um compositor natalense chamado Dussete, um agitador cultural dos bons; uma música do próprio Tico Mendes, e uma música do cantor e compositor potiguar Luiz Fábio, radicado no eixo Rio-São Paulo há trinta anos. 
     A música que puxa o disco tem tudo a ver com os oito posts anteriores: “Segura a Pamonha”
P.S: Não olvide de deixar seu laique, seu comentário, sua proposta para transformar em novela essa história, etc. Isso é o gás hélio que movimenta nosso balão.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

POST 8 – o forró safadinho


POST 8 – o forró safadinho
     O duplo sentido habita a música brasileira desde muito tempo. Atribui-se a Ary Barroso, com sua marchinha “EU DEI”, gravada em 1937 por Carmem Miranda, o pioneirismo do duplo sentido. Luiz Gonzaga, em 1946, em seu Pagode Russo, dançou “cossaco fora”. Raul Seixas, com o seu “Rock das Aranhas”, em 1983, repetiu o formato. O mesmo fizeram Sérgio Reis, com sua “Panela Velha”, em 1983; Maria Alcina, com “Prenda o Tadeu”, em 1985; além de Lulu Santos, com “Adivinha o Quê”, também nos anos oitenta.
     Mas foi no chamado “Forró Safadinho” que o duplo sentido criou asas, driblando a censura, em pleno regime militar, e divertindo o povo. O primeiro registro do gênero ocorre em 1970, quando o Trio Nordestino, deu a largada, com o seu inesquecível sucesso “Procurando Tu”. Em seguida, eles gravaram “Muito Tempo não lhe Vejo”, com o marcante refrão “Tô feliz porque você tá boa”. O gênero imortalizou Manhoso, Marinês, Sandro Becker e principalmente Genival Lacerda, com seus sucessos “Severina Xique-Xique”, “Ela Deu o Rádio”, e “Você tem que me dar o Disco”. 
     Ouvi muitos forrós do tipo em minha juventude. Era uma voz de libertação. De rebeldia adolescente, que trago até hoje.
     O forró safadinho adota sempre um dos subgêneros do forró (xote, baião, maxixe, xaxado, arrasta pé). O que o distingue é a letra, em que se  confere um sentido jocoso para certa palavra ou conjunto de palavras.
     Sempre me encantou a possibilidade de divertir as pessoas, na literatura e na música. Por isso, até como terapia, costumo compor muitos “forrós safadinhos”, mantendo viva uma tradição que parece ter esgotado todos os temas, mas que tem muita coisa ainda para ser explorada. E apois?...

P.S: Mas não esqueça de deixar seu laique, seu comentário, sua proposta para transformar em peça teatral essa história, etc. Isso é o nosso querosene de aviação.


domingo, 10 de fevereiro de 2019

POST 7 – o lado compositor


COMO ME TORNEI O QUE SOU - POST 7 – o lado compositor
     Como falei no post anterior, Carlos Alberto de Sousa foi um gênio e morreu no auge de sua criatividade, após lutar dois anos contra um mieloma. Durante os anos de convívio, na rádio, na televisão, no jornal, em sua casa, em todos os seus ambientes, ele estava sempre cercado de estrelas musicais, locais e nacionais, em vários gêneros, do romântico ao brega, do pop ao forró. Fui contagiado por esse convívio. Isso estimulou  meu lado compositor, já manifesto desde os oito anos de idade
     Em sua atuação como Produtor Musical, Carlos Alberto sempre incluía minhas músicas nos discos dos mais diferentes cantores. Assim, compus mais de 200 músicas e tive 21 gravadas ao longo da vida, a maioria no gênero romântica pois vinha daí a maior demanda. Eram dessas que minha mãe mais gostava. A sua preferida era “Diário de um Poeta”, ainda inédita.  
     Mas confesso que minha grande paixão sempre foram os forrós, tanto o forró de raiz, o pé de serra, como também, os forrós safadinhos, aqueles de duplo sentido, talvez por influência paterna. Por sinal, a música que me rendeu o maior volume de direitos autorias, que fez muito sucesso, do Rio Grande do Sul ao Acre, a partir do ano de 1979, e que toca até hoje, foi um forró chamado Dor de Dente. 
     Foi gravado pelo sanfoneiro potiguar chamado Zé Paraíba, tendo havido mais de dez regravações não autorizadas em todo o Brasil, num tempo em que não havia internet e nós éramos leigos em conhecimento de direitos autorais.
     Na próxima vou contar como surgiu essa história do forró safadinho..

P.S: Não esqueça de deixar seu laique, seu comentário, sua proposta para transformar em música essa história, etc. Isso é nossa gasolina aditivada.

sábado, 9 de fevereiro de 2019

POST 6 – MEU PRIMEIRO GRANDE MESTRE

COMO ME TORNEI O QUE SOU - POST 6 – (Meu primeiro grande mestre)
     O nome do cara era Carlos Alberto, o maior fenômeno da comunicação da história do Rio Grande do Norte. Ele revolucionou o rádio, a televisão, a música, o jornalismo e tudo onde botou os olhos e as mãos. Não sou suspeito para falar, pois também brigamos muito ao longo da vida. Meu cunhado era um gênio.
     Cada programa de rádio que fazia era líder absoluto de audiência. Mesmo assim, ele o reformatava a cada ano. Na televisão era a mesma coisa, ganhando em audiência da poderosa Globo em seu horário de programa e em outros programas por ele idealizados.
     Não foi à toa que o cara teve a carreira mais extraordinária da vida política no estado do RN, passando sucessivamente de vereador a Deputado Estadual, Deputado Federal e Senador, contra tudo e contra todos.
     Na música, ele descobriu e lançou no cenário nacional, cantores como Gilliard e Carlos Alexandre, além de dezenas de outros que tiveram projeção local ou regional. Sabia como ninguém conhecer quem tem talento,  identificar os ingredientes que fazem uma música lograr sucesso, e fazer a leitura das lacunas e oportunidades de mercado.
     A morte o levou precocemente, aos 53 anos de idade. É uma lembrança amarga para todos que com ele conviveram e absorveram sua luz, sua inquietude, sua criatividade. Direi como, no próximo post... 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

COMO ME TORNEI O QUE SOU-POST 5


POST 5 – a vida no rádio
     Pois bem, como sou filho temporão, abri os olhos para a vida e já vi minhas duas irmãs mais velhas casadas. Quando eu tinha oito anos de idade, a terceira das minhas irmãs inventou de namorar e depois casar com um locutor. O cara respirava rádio o dia todo e tinha sonhos mirabolantes. Tendo havido uma identificação recíproca, ele passou a me levar para seu programa e a me dar espaço, tornando-me uma espécie de “louro José”. Interagia o tempo todo comigo, divertindo o público com minhas opiniões infantis diante de fatos do mundo adulto. Daí surgiu minha paixão pelo rádio.
     Fiquei uma temporada assim, até que meu pai me proibiu, dizendo que aquilo era coisa de doido. Fui substituído por um garoto chamado Orlandinho, que fez grande sucesso à época. Retornei à mídia e aos planos de meu cunhado aos catorze anos, já na Televisão. Aos quinze anos retornei ao rádio, agora como produtor de seu programa diário, líder de audiência. Aos dezesseis, além dessa incumbência, ele me colocou como Redator Chefe de seu Jornal. Só um doido faria isso. Quem foi esse cara? Na sequência direi de quem estou falando...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Torre de Babel - POST4

Torre de Babel (Babel Tower)
- Como vivemos em um mundo globalizado, e em atenção aos nossos amigos anglofônicos, francófonos e hispanofônicos, passamos a editar também em inglês, francês e espanhol os capítulos de nossa história real "Como me tornei o que sou"
- As we live in a globalized world, paying attention to our Anglophone, French-speaking and hispanophonic friends, we also edit in English, French and Spanish the chapters of our real story "How I Became What I Am"
- Alors que nous vivons dans un monde globalisé, en accordant une attention particulière à nos amis anglophones, francophones et hispanophones, nous éditons également en anglais, en français et en espagnol les chapitres de notre véritable histoire "Comment je suis devenu ce que je suis"
- Como vivimos en un mundo globalizado, en atención a nuestros amigos anglofónicos, francófonos e hispanofónicos, pasamos a editar también en inglés, francés y español los capítulos de nuestra historia real "Como me convertí lo que soy"

Ps: se houver alguma falha, reclamem do Google tradutor

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

COMO ME TORNEI O QUE SOU-POST4


POST 4 – o centro cultural doméstico

     Meus pais se entendiam muito bem, apesar dos temperamentos opostos. Ele, extremamente brincalhão, não livrava a cara de ninguém; ela, dramática e emotiva. Talvez por isso eu tenha o chamado igualmente forte da comédia e do drama.
     Minha mãe era uma grande atriz: gesticulava e usava onomatopeias em tudo que contava. Isso influenciou na minha opção precoce pelo teatro, embora tenha sido um ator mediano.    
     Ela cantava o dia inteiro, enquanto cozinhava ou pedalava sua máquina de costura Singer. Eram músicas tristes de Luiz Gonzaga, Teixeirinha e Vicente Celestino. Meu pai, sem as mesmas habilidades canoras, preferia a gaiatice de Jackson do Pandeiro.
     À noite, balançando-nos em redes de dormir, os dois nos contavam "estórias de trancoso" e recitavam romances de cordel inteiros, prodigiosamente guardados em suas memórias hiperativas. Para ser mais exato, eram “romances de jumentaria”, a versão nordestina dos romances de cavalaria.  
     Na culinária típica, minha mãe era expert, tanto nos convencionais munguzá, canjica, buchada e outros quejandos, como na sua inigualável pamonha cremosa, que derramava um delicioso caldo, quando aberto o invólucro da palha do milho, isso além de outras invenções gastronômicas.
     Algumas, a pedido do meu pai, eram verdadeiras aberrações, por exemplo, o testículo recheado com cérebro – ambos bovinos -, rabada, mocotó e tutano; um verdadeiro festival de comidas exóticas. Era um mundo mágico e louco.
     Aos meus oito anos, mais um doido entrou em nossa família. Conheçam a história e cheguem às suas conclusões...

sábado, 2 de fevereiro de 2019

COMO ME TORNEI O QUE SOU-POST3



POST3 (primos & companhia)

      Aquelas crianças e jovens da caravana cresceram, começaram a namorar e formar casais entre si. As famílias Pereira e Laranjeira ficaram ainda mais próximas. Nasceram novas crianças que agora eram primas.
     Essas novas crianças viraram adultos e também casaram com primos. Dizem que alguns doidos que surgiram foram fruto dessa junção repetitiva de genes. Mas há o lado bom: foi preservado o caráter, a crença em um ser supremo chamado Deus, as tradições de generosidade, de linguajar comum, de hábitos comuns.
     No ano de 1918 nasceram meus pais, Avelino e Rosália, também primos. Brincaram juntos por toda a infância, foram a festas na adolescência, dançaram, ficaram noivos com pessoas diferentes, marcaram casamento e desistiram de supetão, às vésperas dos casórios, descobrindo que se amavam e não aos noivos com os quais iriam casar. 
     Trocaram as proclamas que estavam fixadas na porta da igreja. Coisa de doido! Parecem ter nascido um para o outro. Tiveram sete filhos. Um morreu ainda criança (Zeleno). Dos seis sobreviventes, sou o caçula.
     Meu pai teve sucesso financeiro, ainda jovem, primeiro com o comércio de rapadura e farinha; depois com o comércio de gado. Tudo que ganhava, transformava em terras. Teve várias fazendas, plantou cana no Vale do Ceará Mirim, e algodão, na Ribeira do Potengi. Em ambas as regiões criou gado para engorda e produção de leite. Ora tinha o estalo de plantar abóbora; ora cajueirais e coqueirais imensos; ora amendoim.
     Ele fez muitas apostas ousadas, algumas sem pé nem cabeça; via luzes onde ninguém via nada. Pelos menos dois bairros de Natal estão integralmente situados em terras que foram suas. Um deles, invadido por pessoas sem teto; outro, trocado por alguns cachos de banana, no início de sua bancarrota.
Vocês imaginam como é ser filho de um casal de doidos? Pois vamos em frente...  

PS: Por favor comente, curta, compartilhe. Isso é muito importante para nós.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

COMO ME TORNEI O QUE SOU-POST2

POST 2 – a terra não prometida
Quase que ao mesmo tempo, na quinta manhã de viagem, os patriarcas Quincas e Sebastião elevaram os chapéus aos céus, espantados com o que viram à frente: 
- Que Terra bonita da gota serena, compadre! – devem ter bradado os dois, em seu linguajar característico. - Vai ser aqui!  
Diante deles se empinava uma majestosa montanha de granito claro, como se fosse o dorso de um cavalo, chamada de Pedra Branca pelos nativos. Em sua borda serpenteava o Rio Potengi, em meio à exuberante mata verde.
Ao chegarem ao povoado de Pedra Branca, os patriarcas concluíram que deveriam encerrar ali sua viagem, que haviam descoberto o paraíso. Com o dinheiro trazido, compraram terras, numa margem e outra do rio. Os Laranjeiras preferiram a margem esquerda, em Pedra Branca; os Pereiras se estabeleceram na margem direita, na comunidade Bom Descanso.
O que pretendiam afinal?
Repetindo a condição de vizinhos, trazida de Florânia, as famílias se fixaram e deram continuidade ao seu legado cultural, religioso e moral. Prosseguiram plantando roças, lavouras de milho, feijão e algodão, criando gado e fazendo feiras, ora comprando, ora vendendo. 
Dessa proximidade viriam novas surpresas para a história das duas famílias...

P.s. Muito apreciaria se comentasse, acrescentasse detalhes, tirasse dúvidas, falasse do que o texto lhe traz lembranças, desse um joinha 👍, mostrasse que está vivo. Isso nos ajuda muito, em motivação e em facilidades.