CRÔNICAS PACIENTES
A saga de duas famílias, apegadas à terra e às tradições, que se veem obrigadas a fugir e deixar tudo para trás, tendo que reescrever as suas histórias, após um desafio coletivo gigantesco..
quinta-feira, 21 de março de 2019
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019
POST 12 - SEGURA A PAMONHA
POST 12 – SEGURA
A PAMONHA
Após 142 anos de gestação, forjada por gerações e
gerações de pamonheiros, pamonhistas e pamonhólogos, eis que surge a música “Segura a Pamonha”, materializada por
este descendente da quinta geração da família Garcia Laranjeira Pereira Araújo,
e gravada por Tico Mendes. Cooommm vooocêêêsss => https://youtu.be/KHi_pSBR-58
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019
POST 11 – PAMONHA TEIMOSA
POST 11 – A pamonha teimosa!
Era ano de 1981. Eu tinha saído do sufoco das nove horas diárias de aula da
ESAP, e já trabalhava nos Correios. Completava três anos em Brasília, e um ano naquele meu primeiro emprego. Um dia, ao ver na padaria da quadra uma ressecada pamonha, lembrei-me da frase do
meu pai: “Não deixa pingar o caldo da pamonha!”. O crachá da atendente dizia que seu nome era Dinorá.
Já saí dali cantarolando o refrão de um xaxado
que acabara de compor: “Segura a
pamonha, Dinorá... segura a pamonha, mas com cuidado, o melhor é o caldo,
não deixa pingar”. Mostrei no dia
seguinte aos colegas de trabalho e o austero ambiente da ECT se
transmutou em palco de risadas; foi grande a
galhofa, uma espécie de terapia reconfortante para
todos.
Logo em
seguida, a convite de alguém fui a uma
festa no Clube Naval de Brasília. Era meu hábito cavar uma canja em todo
lugar que tivesse música ao vivo. Assim, com violão em punho, no primeiro
intervalo da banda, resolvi mostrar à
plateia a música “Segura a Pamonha”.
Cantei
menos de um minuto e desligaram o microfone.
Comentei sem
graça: “Parece que deu um probleminha no som”. Um moço que mexia na mesa acústica, explicou-me ao ouvido: “Não houve nenhum problema no som, mas esse tipo de música não pode tocar aqui”.
Desci do palco com um sorriso amarelo e em pouco tempo tratei de deixar o
lugar. Atribuí o conservadorismo à natureza do clube e à idade dos presentes. Fiquei
uns dias bem desanimado. Mas a coisa não pararia por aí.
Depois, ao final daquele ano, viajei de férias a Natal. Na rua de
minha infância, minha amiga chamada Ceiça reuniu outras meninas da
vizinhança e me chamou para tocar violão
em sua casa. Sentindo-me à vontade no meio de jovens de minha idade, inventei de cantar em dado momento a
música “Segura a Pamonha”. Ao chegar
ao refrão, ouvimos um brado retumbante.
Era a mãe de Ceiça, encolerizada:
- Essa pamonha
já esgotou minha paciência! Vamos acabar agora com essa pouca vergonha! E já
pra fora da minha casa!
Saí muito constrangido e confesso que
me traumatizei e nunca mais cantei em público a música. Mas ela, apesar de guardada no
fundo do baú, de tempos em tempos me vinha à mente. Ao me aposentar e
visualizar o que deveria fazer, lá estava a danadinha, em primeiro lugar na
fila, teimando, querendo uma nova chance. O fato é que a terceira idade nos dá
esse direito de sermos malcriados. Foi assim que a pamonha saiu do exílio, do index prohibitorum.
P.S: Por
tudo que há na terra, não esqueça de deixar seu laique, seu comentário, sua
proposta para me entrevistar em uma grande rede de televisão ou rádio, etc.
Isso é o empurrão que falta para alçarmos voo em nosso paraquedas.
sábado, 23 de fevereiro de 2019
POST 10 – O embrião da pamonha.
Vamos à
prestação de contas! Eu não poderia ser
outra pessoa. Como visto:
1 - Minha família ancestral conservou uma
tradição telúrica, todos amantes das coisas do campo, entre elas as comidas
de milho;
2 - Meu pai sempre foi um sujeito muito bem
humorado, que conservou o mesmo estado de ânimo nos extremos de abundância
e privação que experimentou;
3 – Minha mãe era exímia gastrônoma e humilhava outras cozinheiras quando o
assunto era comida de milho: cuscuz na nata, manguzá no leite de coco,
canjica cozida no cravo e canela, e principalmente sua inigualável pamonha com superfície
cremosa, regada na manteiga.
4 - Um dia, em visita aos meus genitores,
na Lagoa do Sobrado, proximidades da ancestral Pedra Branca, estávamos lanchando à mesa. Ao me ver alcançar na bandeja,
uma cremosa pamonha, turbinada com manteiga
de garrafa, meu pai me alertou: “Bote o seu prato mais perto; não deixe pingar o caldo da pamonha na
toalha”. Dei um sorriso maroto e fiz o que pedia. A frase ficou me martelando o juízo. Era lógica e engraçada. Mal
sabia que ela teria um desfecho, anos
mais tarde.
P.S: Pelas caridade, não esqueça de deixar seu
laique, seu comentário, sua proposta para transformar em stand up essa história,
etc. Isso é a lenha que movimenta nossa locomotiva a vapor.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019
POST 9 – REGRESSO Á MÚSICA
POST 9 – REGRESSO Á MÚSICA
Pois bem, aos 18 anos, despedi-me do rádio, da
televisão, do jornal, e abracei a burocracia. Dediquei-me de corpo e alma e
fui um burocrata premiado, tive uma carreira de sucesso, tanto na ECT como no
TCU. Faturei vários prêmios nacionais e internacionais de monografias, nas áreas em que atuei. Galguei postos relevantes, em decorrência disso. Dediquei-me de corpo e alma. Quarenta anos se foram entre carimbos,
relatórios, processos, projetos, apresentações, treinamentos, etc.
É claro que a paixão pela arte não foi embora. Diminuí
o ritmo, mas prossegui fazendo literatura e canções. Há dois anos atrás me aposentei e fiz a pergunta que todos fazem: “E agora?”. Precisava
me “ressocializar”, e a ficha musical foi a primeira que caiu. Comecei a preparar meu regresso à música.
Fiz um MBA de Propriedade Intelectual, e estudei muito sobre produção musical e o mercado artístico.
Tracei meu
plano de negócios e parti para a gravação de 50 músicas demo. Nesse processo,
planejava encontrar distante o primeiro talento a ser convidado para uma gravação
musical. Tico Mendes, tecladista da minha confiança, foi escolhido para fazer
as 50 demos. Mas, fui percebendo que quando ele cantava forró, sua expressão mudava,
a voz se encaixava melhor, seu timbre era vibrante. Seu biotipo era de um
nordestino legítimo, em aparência e pronúncia.
Foi assim que surgiu o primeiro
projeto, o disco do Tico Mendes, minha estreia como produtor musical. São dez faixas de forró safadinho,
sendo quatro de minha autoria, duas delas em parceria com Tirol (Pseudônimo de
um renomado artista nacional), quatro músicas de um compositor natalense
chamado Dussete, um agitador cultural dos bons; uma música do próprio Tico
Mendes, e uma música do cantor e compositor potiguar Luiz Fábio, radicado no
eixo Rio-São Paulo há trinta anos.
A música que puxa o disco tem tudo a
ver com os oito posts anteriores: “Segura a Pamonha”
P.S: Não olvide de deixar seu laique, seu
comentário, sua proposta para transformar em novela essa história, etc. Isso é
o gás hélio que movimenta nosso balão.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
POST 8 – o forró safadinho
POST 8 – o
forró safadinho
O duplo sentido habita a música
brasileira desde muito tempo. Atribui-se a Ary Barroso, com sua marchinha “EU
DEI”, gravada em 1937 por Carmem Miranda, o
pioneirismo do duplo sentido. Luiz Gonzaga, em 1946, em seu Pagode Russo,
dançou “cossaco fora”. Raul Seixas, com o seu “Rock das Aranhas”, em 1983,
repetiu o formato. O mesmo fizeram Sérgio Reis, com sua “Panela Velha”, em
1983; Maria Alcina, com “Prenda o Tadeu”, em 1985; além de Lulu Santos, com “Adivinha
o Quê”, também nos anos oitenta.
Mas foi no chamado “Forró Safadinho” que o duplo sentido criou asas, driblando a
censura, em pleno regime militar, e divertindo o povo. O primeiro registro do
gênero ocorre em 1970, quando o Trio
Nordestino, deu a largada, com o seu inesquecível sucesso “Procurando Tu”. Em seguida, eles
gravaram “Muito Tempo não lhe Vejo”, com o marcante refrão “Tô feliz porque
você tá boa”. O gênero imortalizou Manhoso,
Marinês, Sandro Becker e principalmente Genival Lacerda, com seus sucessos
“Severina Xique-Xique”, “Ela Deu o Rádio”, e “Você tem que me dar o Disco”.
Ouvi muitos
forrós do tipo em minha juventude. Era uma voz de libertação. De rebeldia
adolescente, que trago até hoje.
O forró
safadinho adota sempre um dos subgêneros do forró (xote, baião, maxixe, xaxado,
arrasta pé). O que o distingue é a letra, em que se confere um sentido jocoso para certa palavra ou
conjunto de palavras.
Sempre me encantou a possibilidade de
divertir as pessoas,
na literatura e na música. Por isso,
até como terapia, costumo compor muitos “forrós
safadinhos”, mantendo viva uma tradição que parece ter esgotado todos os temas,
mas que tem muita coisa ainda para ser explorada. E apois?...
P.S: Mas não
esqueça de deixar seu laique, seu comentário, sua proposta para transformar em
peça teatral essa história, etc. Isso é o nosso querosene de aviação.
domingo, 10 de fevereiro de 2019
POST 7 – o lado compositor
COMO ME TORNEI O QUE SOU - POST 7 – o
lado compositor
Como falei
no post anterior, Carlos Alberto de
Sousa foi um gênio e morreu no auge de
sua criatividade, após lutar dois anos contra um mieloma. Durante os anos
de convívio, na rádio, na televisão, no jornal, em sua casa, em todos os seus ambientes, ele estava
sempre cercado de estrelas musicais, locais e nacionais, em vários gêneros,
do romântico ao brega, do pop ao forró. Fui
contagiado por esse convívio. Isso
estimulou meu lado compositor, já
manifesto desde os oito anos de idade
Em sua
atuação como Produtor Musical, Carlos Alberto sempre incluía minhas músicas nos
discos dos mais diferentes cantores. Assim, compus mais de 200 músicas e tive 21 gravadas ao longo da vida, a
maioria no gênero romântica pois vinha daí a maior demanda. Eram dessas que
minha mãe mais gostava. A sua preferida era “Diário de um Poeta”, ainda inédita.
Mas confesso
que minha grande paixão sempre foram os
forrós, tanto o forró de raiz, o pé de serra, como também, os forrós safadinhos, aqueles de duplo sentido, talvez por influência paterna. Por sinal, a música que me rendeu o maior volume de
direitos autorias, que fez muito sucesso, do Rio Grande do Sul ao Acre, a
partir do ano de 1979, e que toca até hoje, foi um forró chamado Dor de Dente.
Foi gravado pelo sanfoneiro potiguar
chamado Zé Paraíba, tendo havido mais de dez regravações não autorizadas em
todo o Brasil, num tempo em que não havia internet e nós éramos leigos em
conhecimento de direitos autorais.
Na próxima vou contar como surgiu essa história do
forró safadinho...
P.S: Não
esqueça de deixar seu laique, seu comentário, sua proposta para transformar em
música essa história, etc. Isso é nossa gasolina aditivada.
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