POST 1 -
o êxodo ancestral
Em 1887, meus bisavôs Quincas Garcia Laranjeira
e Sebastião Pereira de Araujo fugiram de Florânia-RN. Deixavam para trás uma
seca inclemente, seguida de uma peste de febre palustre.
O flagelo
duplo dizimara lavouras, criações e famílias. Os patriarcas Quincas e
Sebastião, apesar de amarem sua terra, tiveram de alterar os planos, antes que
a desgraça se completasse e ceifasse vida de familiares.
Eram
agricultores, naquele pedaço da região do Seridó Potiguar, transição entre os
campos de tabuleiro do agreste e a caatinga do sertão. Gente trabalhadora e
digna. Plantavam roças, cereais e algodão. Comiam o que produziam e vendiam os
excedentes. Atingiram um nível modesto, mas confortável de vida.
Nos lombos de uma tropa de burros,
levando o que puderam (mantimentos, utilidades e o dinheiro disponível),
desceram a ribeira do Rio Potengi, na direção de Natal.
Os cachorros
Tupi, Uaite e Duque, todos da raça turn-cans
(vira-latas) e os gatos Manhoso e Veludo guiaram a comitiva, avisando-a dos
perigos.
Bebês,
crianças e mulheres iam montados sobre as cangalhas dos muares, no espaço entre
os caçuás de viveres; homens e jovens seguiam a pé, tangendo a tropa. Só
paravam para o almoço, embaixo de alguma árvore do percurso; e para o jantar e
dormida, em tendas, sobre a areia fresca do rio, ao cair das noites.
Aos poucos o
Rio Potengi, quase um filete em sua nascente, foi aumentando o volume d’água, à
medida que recebia tributos de pequenos riachos. Aconteceu de tudo na jornada, desde criança desaparecida na mata a
livramento de cobra venenosa, de guaxinim e de raposa doida.
Mas foi no quinto dia que a caravana
teve a grande surpresa...
|
Gostei, me animei para ler o próximo.
ResponderExcluirSeus pais têm histórico parecido com o dos meus pais.